Ouvi duas notícias: mais uma agressão a um professor e um rapaz que se delicia a atirar animais do alto das muralhas de um castelo. Eu posso continuar. Na escola onde estou e que considero pacífica, um aluno está internado há dois dias porque um colega lhe atirou uma pedra a um olho deixando-o com traumatismo craniano e em risco de perder a visão.
O que é isto? Que sociedade é esta? Porquê tanta violência?
E eu reflito. O que se passa com os pais destes filhos é a falta de consciência do que é educar. Pensar-se-á que educar é ralhar e dizer 'coisas', quando a educação é dada com exemplos e não com palavras. E esta questão vai mais longe quando vejo que isto é um problema estrutural. Vivo num país onde se 'diz' e não se faz. Penso nos sucessivos governos que falam em crise (de facto, várias crises) que impõem medidas, que prometem e que quando finalmente lá estão, fazem o que querem, e o que é mais grave, impunemente. Ninguém pede contas a ninguém. O descalabro social que a imprensa divulga para vender e atrair este tipo de público vulnerável, através de notícias como a pedofilia, a violência doméstica, os sacos azuis, as fugas ao fisco, o despesismo, etc, sem concluir com que o seria devido (fosse quando fosse) - as respectivas punições, é a grande lição de moral. Porque é que nunca se sabe do desfecho destes acontecimentos? Porque tudo se faz de forma impune neste país. É esta sociedade que o Estado fomenta. Tal como a Igreja, o Estado ao gerir o que está no alto, governa o que está em baixo. Esta mediocridade está a aumentar dia para dia e não vejo nada de concreto a ser feito. Vejo que na escola cada vez há mais papéis para justificar e desculpabilizar a falta de responsabilidade dos alunos e dos pais. Papéis que ficam arrumados e que ninguém vai ler para tratar a raíz dos problemas que é a família! Se o Estado realmente se preocupasse com as situações graves que existem e são denunciadas, muitas crianças já não eram alvo de violência dos pais há muito, e outras não teriam morrido.
Há medida que o tempo passa vou-me debatendo com um dilema pessoal. Já fui mais democrata do que hoje sou. Porquê?











